Saiba quem estará à frente das tutorias de projetos e artistas da 9ª edição dos Laboratórios de Criação

Os Laboratórios de Criação da Escola Porto Iracema das Artes estão em sua 9ª edição e já formaram mais de 400 artistas nas áreas de Artes Visuais, Música, Cinema, Teatro e Dança

Desde 2013, a Escola Porto Iracema das Artes — instituição da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) gerida pelo Instituto Dragão do Mar (IDM) — contribui para o desenvolvimento de diversos projetos artísticos do Ceará e do Brasil por meio dos Laboratórios de Criação. Parte desse percurso formativo se dá nas tutorias, nas quais artistas e pesquisadores reconhecidos nas suas áreas de atuação fazem o acompanhamento dos projetos selecionados. 

Ao todo, 30 artistas das Artes Visuais e 18 projetos de Dança, Música, Cinema e Teatro integram a edição dos Laboratórios de Criação 2021, que terá formato híbrido em função da pandemia de Covid-19. Para a orientação dessas pesquisas, teremos um total de 21 tutores, tutoras, mediadoras, consultores e mentores do Ceará e de várias partes do Brasil, grandes nomes com larga experiência em cada uma das linguagens.

Pela primeira vez, a seleção adotou políticas afirmativas. Metade dos projetos e artistas selecionados são do interior do Ceará e 50% das vagas, em todas as áreas, foram destinadas para pessoas autodeclaradas pretas, pardas, indígenas, quilombolas, travestis, transexuais, transgêneros, não binárias e pessoas com deficiência.

Via Lei Federal de Incentivo à Cultura, da Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, o programa mais uma vez conta com o Patrocínio Master da Cagece, além do Patrocínio das empresas Dass, Democrata Calçados e Neorubber e o Apoio da Termaco, com Parceria da SG Soluções Sociais.

Confira, abaixo, como vai funcionar cada Laboratório de Criação e quem estará à frente das tutorias: 

– Artes Visuais 

A Temporada Formativa do Laboratório de Artes Visuais 2021 terá seis módulos e será desenvolvida a partir dos eixos “Corpo”, “Natureza” e “Pensamento”. Para cada eixo, uma mediadora. A pesquisadora e curadora Luciara Ribeiro vai orientar “Pensamento”. Já a curadora e mestra em Antropologia, Sandra Benites Guarani Nhandewa, ficará responsável pelo eixo “Natureza”, enquanto Beatriz Lemos, pesquisadora e curadora autônoma, vai estar à frente das discussões de “Corpo”.  Entendendo que Corpo, Natureza e Pensamento são conceitos indissociáveis, a proposta pedagógica é que as tutoras atuem de modo interligado, a fim de dar mais coesão ao processo de formação e aproximar mais o grupo de artistas.

Luciara Ribeiro

Crédito: Jeferson Santos

É educadora, pesquisadora e curadora. Interessa-se por questões relacionadas a descolonização da educação e das artes e pelo estudo das artes não ocidentais, em especial as africanas, afro-brasileiras e ameríndias. É mestra em História da Arte pela Universidade de Salamanca (USAL, Espanha, 2018), onde foi bolsista da Fundación Carolina, e pelo Programa de Pós-Graduação em História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP, 2019), onde foi bolsista CAPES. É graduada em História da Arte pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP, 2014) com intercâmbio na Universidade de Salamanca (USAL, Espanha, 2012). É técnica em Museologia pela Escola Técnica Estadual de São Paulo (ETEC, 2015). Atualmente é docente no Departamento de Artes da Faculdade Santa Marcelina.

Sandra Benites Guarani Nhandewa

Crédito: Rodrigo Avelar

Mestra em Antropologia Social pelo Museu Nacional-UFRJ, curadora adjunta de arte Brasileira no MASP. Atualmente doutoranda em Antropologia Social pelo Museu Nacional-UFRJ.

Beatriz Lemos 

É pesquisadora e curadora autônoma, com mestrado em História Social da Cultura pela PUC-RJ e idealizadora da plataforma Lastro – Intercâmbios Livres em Arte. A partir de perspectivas contra-hegemônicas, atua na condução e articulação de processos em rede e transdisciplinares de criação e aprendizagem. Atualmente é Curadora Adjunta do MAM Rio e integra a equipe curatorial da 3ª Frestas – Trienal de Artes (Sorocaba, SP).

– Cinema 

Já no Laboratório CENA 15 – Cinema, as tutorias são coletivas e os roteiristas contam com consultorias individuais a cada semana. A equipe de tutores é formada por Nina Kopko, roteirista, diretora, consultora de projetos e preparadora de elenco; Murilo Hauser, diretor e roteirista; e o sociólogo e cineasta cearense Armando Praça. Os consultores são Pablo Arellano e Luciana Vieira. Fundador do Centro de Narrativas Audivisuais do Porto Iracema das Artes – CENA 15, junto com os cineastas Sérgio Machado e Marcelo Gomes, em 2013, Karim Aïnouz foi tutor do projeto desde a sua primeira edição e a partir deste ano assume o lugar de mentor do laboratório, onde seguirá fazendo orientações por meio de aulas especiais e contribuindo com o desenho conceitual do programa de formação dos roteiristas e no estabelecimento de pontes com o mercado audiovisual.

Os projetos de longa-metragem desenvolvidos no Lab CENA 15 em 2021 serão seis: quatro da Modalidade Ceará, um da Nordeste e outro Nacional. “Bença”, de Joaquim Ferreira e Lipe da Silva; “Dentro do Rio”, de Bárbara Matias e Jamal Kayry; “Filha de uma mãe”, de Wagner Nogueira e Roberta Barroso; e “Xoxolete”, de Hell Ravani e Mauro Reis, são os roteiros cearenses. Já “Onde Estão as Estrelas”, de Cibele Marina, vem da Bahia e “Triste Maravilhoso”, de Diogo Leite, de São Paulo.

Armando Praça

Crédito: Alan Sousa

É sociólogo e cineasta cearense. Já trabalhou como assistente de direção, roteirista e treinador de atuação de renomados cineastas no Brasil como Marcelo Gomes, Karim Aïnouz, Márcia Faria, Sérgio Rezende, Halder Gomes e Sérgio Machado. Seus curtas e médias metragens foram selecionados para mais de 30 festivais internacionais, como Clermont-Ferrand, Roterdã, Festival Latino Americano de Toulouse e Mecal de Barcelona. “Greta” (2019), seu primeiro longa-metragem, estreou na 69ª Berlinale e foi selecionado para mais de 40 festivais internacionais. Recentemente, lançou o segundo longa-metragem, “Fortaleza Hotel”, além de desenvolver no momento os projetos “Ne me quitte pas” e “Cachoeira do descuido”. Desde 2019 é tutor do Laboratório Cena 15 – Cinema da Porto Iracema das Artes.

Murilo Hauser

Escreveu “A Vida Invisível”, Grand Prix da mostra Un Certain Regard de Cannes em 2019. Em 2021, voltou ao festival com “O Marinheiro das Montanhas”, nova colaboração com Karim Aïnouz. Seus curtas “Silêncio e Sombras” e “Meu Medo” foram premiados em Nova Iorque e Buenos Aires e eleitos, por duas vezes consecutivas, Melhor Animação Nacional no Curta Cinema. Para o teatro, criou “Avenida Dropsie” com a Sutil Companhia, assinou texto e direção da premiada “Não Sobre o Amor” com Felipe Hirsch e, ao lado de Hector Babenco, dirigiu “Hell”. Murilo recebeu o diploma de Master of Fine Arts em roteiro pela University of Southern California como bolsista da Fulbright. É tutor do Laboratório Cena 15 da Escola Porto Iracema e integra o Núcleo de Desenvolvimento da VideoFilmes.

Nina Kopko

Crédito: Alan Sousa

Atua nas áreas de roteiro, direção, consultoria de projetos e preparação de elenco. Foi diretora assistente dos filmes “A Vida Invisível” (Karim Aïnouz, 2019) e “O Silêncio do Céu” (Marco Dutra, 2016). Preparadora de elenco dos filmes “Dente por Dente”, “Céu de Agosto” e “A Vida Invisível”. Roteirista da série “As Seguidoras” (Paramount+), entre outras em estágio de produção. Atuou como supervisora de desenvolvimento de projetos da produtora RT Features. É tutora do Laboratório Cena 15 da Escola Porto Iracema desde 2018. Prepara o primeiro longa-metragem, “Ranço de Amor”, vencedor do edital Start Money da SPCine. “Chão de Fábrica”, seu primeiro curta-metragem, estreou em 2021 no circuito de festivais brasileiros e conquistou nove prêmios,  incluindo Melhor Curta-Metragem do Cine Ceará, Festival do Rio e Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Karim Aïnouz 

Crédito: Alan Sousa

É um premiado cineasta, roteirista e artista visual. Estreou como diretor com MADAME SATÃ (Cannes Un Certain, Regard 2002). Seus outros trabalhos incluem  MARINHEIRO DAS MONTANHAS (Seleção Oficial Cannes, 2021), NARDJES A. (Berlin Panorama, 2020), CENTRAL AIRPORT THF (Prêmio Anistia de Berlim, 2018), PRAIA DO FUTURO (Competição de Berlim, 2014), O ABISMO PRATEADO (Quinzena de diretores de Cannes, 2011), VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO (Veneza, Orizontti, 2009) e CÉU DE SUELY (Veneza, Orizontti, 2006). A VIDA INVISÍVEL, o último longa-metragem de Aïnouz, ganhou o prêmio Un Certain Regard no Festival de Cannes de 2019 e, desde então, já recebeu vários prêmios em todo o mundo. Aïnouz é mentor do Laboratório de Roteiros CENA 15 do Porto Iracema das Artes/Instituto Dragão do Mar em Fortaleza e membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Luciana Vieira 

Crédito: Alan Sousa

É graduada em Cinema e Audiovisual pela UFC e atua como produtora, roteirista e diretora. Foi co-roteirista e co-diretora da série “Meninas do Benfica”, da série “Lana & Carol”, do telefilme “Guerra da Tapioca”  (Globoplay) e está atualmente em pré-produção do sitcom “Se Avexe Não” (EBC). Além disso, produziu a série “Identidade #Transvive” (EBC) e o documentário “As Cores do Divino” (Prime Vídeo). É também consultora de roteiros do Laboratório Cena 15 – Cinema do Porto Iracema das Artes desde 2018.

Pablo Arellano 

Crédito: Alan Sousa

Licenciado em Comunicação Audiovisual pela Universidade Complutense de Madrid. Especialista em Roteiro de Cinema e Televisão pela EICTV (Cuba) e pelo Instituto de Cinema de Madrid (NIC). Trabalhou em mais de 30 produções entre curtas-metragens, séries de televisão e longas-metragens. Seus trabalhos foram premiados em festivais como Cannes, San Sebastian, Munique, Biarritz e Havana. Ministrou cursos de roteiro e narrativa em diversas instituições em Espanha, Brasil, Bolívia e Cuba. É professor de cinema e criador de conteúdos de ensino no Centro de Estudos Universitários Superiores, da Organização dos Estados Ibero-Americanos. Entre 2015 e 2019 foi curador do Festival Ibero-Americano de Cinema do Ceará. Desde 2015 é consultor no Laboratório Cena 15 – Cinema da Porto Iracema das Artes. Atualmente é roteirista em projetos de longa-metragem e séries de TV no Brasil, República Dominicana, Uruguai e México.

– Dança 

Quatro mulheres estão à frente das tutorias do Laboratório de Dança 2021. A diretora, dramaturgista e coreógrafa cearense Andreia Pires, que já participou como artista de duas edições dos Labs, será a tutora do projeto “Mar é House”, dos artistas Luiz Aragão Coreano, Joca Andrade e Rafael Lima. Já a preparadora corporal, diretora teatral e diretora de movimento, Cátia Costa, será a responsável pela tutoria do projeto “Repovoar imaginários sobre o amor”, das artistas Mandu, Francisca Firina e Lara Xerez. 

Jussara Belchior, bailarina e pesquisadora sobre arte gorda, estará na tutoria do projeto “Gordanças”, de Leidiane Pereira, Fátima Gomes e Cecília Maria, de Juazeiro do Norte. Por fim, a doutora e mestre em artes pela Universidade Federal do Pará, Rosângela Colares, será a tutora do projeto “Corporificar”, de Rafaela Lima, Herê Aquino e Laurianne Tremembé, de Itapipoca.

Andreia Pires

É mestre em artes pela Universidade Federal do Ceará, graduada em Artes Cênicas pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e técnica em Dança pelo Curso Técnico em Dança da Escola Porto Iracema das Artes. Pesquisa dramaturgias diversas num contexto expandido e interessado pelo corpo no âmbito das Artes Cênicas. Integra a Inquieta Cia e transita por diversos projetos como diretora, dramaturgista e coreógrafa.

Cátia Costa 

Atriz com experiência de 30 anos de carreira. Formação em Licenciatura em Artes Cênicas pela UNIRIO. Preparadora corporal, diretora teatral e diretora de movimento, desenvolve, sobretudo, pesquisas cênicas acerca das relações diaspóricas corporais das danças negras do Brasil através do Estudo da Performance e do Butho (Afrobutho). Terapeuta holística com estudos ligados à Cristaloterapia, Apometria e Mesa Radiônica. Propõe em suas práticas o encontro entre as artes, a espiritualidade e a cura. 

Jussara Belchior 

É bailarina gorda. Doutoranda com pesquisa sobre arte gorda pelo PPGT/UDESC – bolsista CAPES, mestra pelo mesmo Programa e Bacharela em Comunicação e Artes do Corpo pela PUC/SP. Pesquisa arte gorda e criação em dança, integra o coletivo artístico de pessoas gordas MANADA. Faz parte do coletivo internacional Fat Performance Network . Desenvolve o projeto TRA (Técnicas para Retardar a Antecipação [ou] Trabalho Remoto Adiposo). Integrou o elenco do Grupo Cena 11 Cia de Dança e se interessa por poéticas e políticas de posicionamentos no mundo através da dança.

Rosângela Colares 

É doutora e mestra em artes pela Universidade Federal do Pará, instituição onde cursou licenciatura e o Curso Técnico em Dança. Integrante fundadora do grupo artístico “Coletive Umdenós” que desenvolve pesquisas e poéticas voltadas para a construção de epistemologias das danças na Amazônia. É integrante do NACE, Núcleo de Arte, Cultura e Educação na Semec –  Belém.

– Música 

No Laboratório de Música 2021, nomes conhecidos do público estarão no time de tutores. O baterista, percussionista, produtor musical e cultural, André Magalhães, será o tutor do projeto “Música Periférica Brasileira”, de Carú Lina, Thaís Costa e DJ Janas. Já a cantora e compositora Anelis Assumpçäo fica à  frente da tutoria do projetoCaiô & Outragalera – Um Salve À Música Negra Cearense”, de Caiô, Agê e Thaís Pinheiro.

Assucena Assucena, cantora, compositora e escritora é a responsável pela tutoria do projetoMulher de 60”, de Adna Oliveira, Andy Monroy e Ayla Lemos, enquanto Russo Passapusso, músico e compositor, será o tutor do projeto “O Cheiro do Queijo – Circo Rap”, de Igor Cândido, David Cruz e Eliel Carvalho.

André Magalhães 

Músico, baterista, percussionista, produtor, pesquisador de cultura tradicional e engenheiro de áudio. Participou de álbuns que incluem música indígena, cantos de trabalho, culturas tradicionais,  instrumental, MPB, orquestras eruditas, entre outras. Integrante do grupo “A Barca”, produziu o projeto “Turista Aprendiz”, registrando manifestações populares no país. Produziu “Orin” Orquestra Afro Sinfônica (indicado ao Grammy), “Gbô” Mestre Sapopemba, “Rastilho”,de Kiko Dinucci (Prêmio Multishow), Äjô” do grupo Foli Griô Orquestra (indicado ao Grammy), entre outros. Morou em Nova Olinda (CE), atuando na Fundação Casa Grande. Lançou o primeiro álbum solo, “Para Ti – Batuque e Melodias dos Cantos”, um ensaio autobiográfico e etno-musical, com composições próprias.

Anelis Assumpção

Cantora e compositora que mistura vocais sensuais a arranjos irreverentes, dub, afrobeat e grooves brasileiros. Filha de Itamar Assumpção, Anelis representa o espírito livre de amarras da vanguarda musical de São Paulo, bem como o toque de originalidade herdado. O álbum de estreia, Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não Sou Santa (2011) integrou line-ups do Brasil e Portugal. Em 2014, lançou Amigos Imaginários, tendo centenas de milhares de plays nas redes, já no primeiro mês. O álbum foi mixado pelo dub master nova-iorquino, Victor Rice, e lhe rendeu o prêmio Deezer de Artista do Ano, e o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) para Melhor Artista Revelação de 2015. Em 2018, lançou o álbum Taurina, buscando inspiração na sua própria selva de pedra, São Paulo, e nos alimentos de todos os tipos que prepara em alquimia na sua cozinha.

Assucena Assucena

Cantora, compositora e escritora, de Vitória da Conquista, BA. Ingressou em História pela FFLCH-USP em 2011, começando a aprofundar-se nos debates sobre gênero, arte e estética. Entrou na cena musical em 2015 como fundadora e vocalista da banda As Bahias e a Cozinha Mineira, depois As Baías, lançando os álbuns Mulher(2015); Bixa(2017); Tarântula(2019); Os EPs Enquanto Estamos Distantes(2020); Respire & Coragem(2020) e Drama Latino(2020). Tem dois Prêmios da Música Brasileira(2018), por Bixa, e indicações ao Grammy Latino por Tarântula e Enquanto Estamos distantes. Gravou com Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Péricles, Xand Avião, Rincon Sapiência, Mc Rebecca, Linn da Quebrada. Depois de seis anos integrando As Baías, inicia seu projeto solo.

Russo Passapusso 

Músico e compositor de Feira de Santana, faz parte da nova geração da música  produzida na Bahia. Da iniciação ao violão no samba, ao contato com o rap, o reggae e a cultura do  Sound System jamaicano em Salvador, e integrado ao Ministério Público Sistema de Som, começou a movimentar a cena da cidade, ocupando espaços, conquistando público. Ao quebrar as barreiras entre o corpo e a mente, e se aprofundar na pesquisa da  cultura popular e o pop, o trabalho se expandiu, levando à criação da Baiana System em 2008, com os parceiros Beto Barreto, Filipe Cartaxo e Marcelo  Seco.  Em turnês pelo Brasil e pelo mundo, o grupo lançou em 2019 o terceiro disco, “O futuro não demora”. Russo diversificou a trajetória ainda mais com a produção  do primeiro disco solo “Paraíso da Miragem”, que figurou em listas entre melhores lançamentos e circulou pelo país.

– Teatro 

A edição 2021 do Laboratório de Teatro terá a pesquisadora, produtora cultural e artista interdisciplinar Sanara Rocha entre as tutoras. Ela vai acompanhar o projeto “INCÊNDIOS DA ALMA: sobre mulheres devotas de si”, das artistas Suzana Carneiro de Souza, Alda Maria e Mestra Socorro Alexandre, do Crato. Já a atriz-pesquisadora Raquel Scotti Hirson fará a tutoria de “Portas de São Pedro”, projeto de Nathália Fiuza, Jéssica Mota e Lídia dos Anjos, de Fortaleza.

O projeto “De uma Diva para uma Divina”, de Diva D’brito, Penha Ribeiro e Paulo Andrezio, do Crato, contará com a tutoria da cantora e atriz Divina Valéria, uma das mais importantes artistas LGBTQIA+ da história do Brasil. A multiartista Zahy Guajajara fecha o grupo de tutoras do Teatro nesta edição e vai acompanhar o projeto de Marina Brito, Letícia Marram e Andrea Bardawil, “SOLO FÉRTIL: mulheres do meu interior”. 

Divina Valéria 

Crédito: Clayton Lima

Da era de travestis lendárias que enfrentaram a perseguição da ditadura militar, Divina Valéria conquistou lugar de respeito junto às “Divinas Divas”, cuja história foi registrada no aclamado documentário de Leandra Leal. Cantora virtuosa, já se apresentou internacionalmente na França, Japão, Argentina e Uruguai, entre outros lugares do mundo. Desde quando surgiu em 1964 no “Les Girls” ao lado de Rogéria, transformou-se em uma lenda dos tablados, sempre com sua voz precisa e aveludada, além de marcante interpretação. Em 2020, viveu momento icônico no espetáculo Divinas Divas, no Theatro Municipal de São Paulo, ao lado das veteranas Jane Di Castro, Eloína dos Leopardos, Camille K. e as da geração seguinte, Divina Nubia e Marcia Dailyn. Com 78 anos, Divina Valéria é uma das mais importantes artistas LGBTQIA+ da história do Brasil.

Raquel Scotti Hirson 

Crédito: Tina Coêlho

É atriz-pesquisadora e atual coordenadora do LUME (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da UNICAMP). Doutora pelo IA da UNICAMP, com a tese “Alphonsus de Guimaraens: Reconstruções da Memória e Recriações no Corpo” e autora dos livros “Tal qual apanhei do pé: uma atriz do Lume em pesquisa” (HUCITEC e FAPESP, 2006) e “PRÁTICAS TEATRAIS: sobre presenças, treinamentos, dramaturgias e processos” (Editora da UNICAMP, 2020). É professora permanente do PPG Artes da Cena do IA, UNICAMP.  Atua em espetáculos em repertório do Lume, sendo o mais recente “Kintsugi, 100 memórias” (2019), dirigido pelo argentino Emilio Garcia Wehbi. Apresenta espetáculos, demonstrações técnicas e ministrou workshops em diversas cidades brasileiras e no exterior.

Sanara Rocha 

Crédito: Adeloyá Magnoni

Sanara Rocha é feminista negra, curadora independente, artista interdisciplinar e pesquisadora com campo de atuação nacional e internacional. Dedica-se ao desenvolvimento de duas pesquisas poéticas multidisciplinares, uma que se intitula “Narrativas Fósseis” e se respalda nos estudos de gênero e no afrofuturismo a título de escavar-forjar trabalhos poéticos interdisciplinares que investigam a presença feminina no território simbólico dos tambores e problematizam o apagamento de parte dessa memória; e uma nova intitulada “Futurismo Amefricana” que se fundamenta no conceito de ladino amefricanidade cunhado por Lélia Gonzalez e teve como um de seus resultados mais concretos a criação da plataforma Futurismos Ladino Amefricanas – FLA, um espaço de aglutinação e intercâmbio de saberes entre artistas negres e indígenas latino americanos. 

Zahy Guajajara

Crédito: Philipp Lavra

Zahy é multiartista e teve a sua primeira experiência no audiovisual em 2012, no curta “ZAHY- Uma fábula sobre a aldeia Maracanã”, feito em parceria com Felipe Bragança. Desde então vem se desenvolvendo como artista oradora e criadora de arte indígena. Alguns dos seus trabalhos como atriz, são: O longa “Não Devore Meu Coração” de Felipe Bragança, a Série Dois Irmãos, TV Globo com Direção de Luiz Fernando Carvalho, Macunaíma de Bia Lessa e tantos outros. Atualmente está produzindo e co-dirigindo, novamente com Felipe Bragança, um longa com uma releitura de Macunaíma! Sua primeira língua é o Ze’eng Eté (fala boa/verdadeira), dialeto do tronco tupi-guarani, a segunda língua é o português, and she learning English as well.

Sobre os Laboratórios de Criação

Os Laboratórios de Criação da Escola Porto Iracema das Artes são espaços de experimentação, pesquisa e desenvolvimento de projetos culturais em cinco linguagens: Artes Visuais, Cinema, Dança, Música e Teatro. Esta é a 9ª edição dos Labs que, pela primeira vez, adota políticas afirmativas.

Os Laboratórios funcionam em regime de imersão, por meio de processos formativos de excelência, desenvolvidos em torno das propostas previamente selecionadas. Os artistas recebem orientação de tutores, que conduzem a qualificação dos projetos com orientações individuais, oficinas, palestras e masterclasses pelo período de sete meses.

De 2013 a 2021, são 489 artistas envolvidos, 191 projetos selecionados, mais de 17 mil horas de tutorias realizadas com 147 tutores de todo o Brasil, mais de 800 ações abertas ao público, entre aulas, oficinas, debates e apresentações artísticas. Nesse período, foram investidos R$ 2.465.400,00 em bolsas de pesquisas artísticas. 

Sobre a Escola

A Porto Iracema das Artes é a escola de formação e criação em artes do Governo do Estado do Ceará, instituição da Secretaria da Cultura (Secult) gerida pelo Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há oito anos desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

SERVIÇO

Para mais informações sobre os Laboratórios de Criação da Escola Porto Iracema das Artes, acesse AQUI.

Conheça também os projetos desenvolvidos nas edições anteriores: https://labs.portoiracemadasartes.org.br/2020/

Assessoria de Comunicação Porto Iracema das Artes | Texto: Gabriela Moraes (estagiária), com supervisão e edição de Raphaelle Batista (jornalista) | Publicado em 04/02/2022.