No Dia do Orgulho LGBTQIA+, videodança sobre vogue e a cena ballroom cearense estreia na 8ª MOPI

Foto: Ártemis Ermesson e Bruno Gomes – Jaguar Oricci Valentino

Documentário registra o percurso da pesquisa “Soft-Fúria: O vogue e a expansão da cena Ballroom no estado do Ceará – Um olhar afro-brasileiro” no Lab Dança 2020-21

A 8ª Mostra de Artes do Porto Iracema segue com as exibições e apresentações de trabalhos artísticos desenvolvidos nos Laboratórios de Criação 2020-21. E no Dia do Orgulho LGBTQIA+, 28 de junho, será exibida uma obra de videodança que documenta a comunidade Ballroom e o estilo de dança vogue no Ceará, em conexão com pautas sociais das cidades de Fortaleza e Iguatu. A exibição será às 16h, em transmissão ao vivo no Canal do YouTube da Escola, com acessibilidade em LIBRAS.

Com concepção de Jaguar Oricci Valentino, edição e montagem de Ártemis Ermesson, compõem o elenco mais 12 artistas integrantes da cena Ballroom. A obra tem, ainda, a participação da tutora do projeto no Laboratório, Silvia Miranda, a pioneira Yagaga Kengaral. Ao final da exibição, os artistas do projeto conversarão com o público sobre o processo de criação.

A pesquisa “Soft-Fúria – O vogue e a expansão da cena Ballroom no estado do Ceará – Um olhar afro-brasileiro” foi desenvolvida no Laboratório de Dança do Porto Iracema das Artes nos últimos sete meses. O projeto buscava a intercessão entre o vogue e as danças negras brasileiras, além de expandir as experiências já vividas pelos artistas proponentes.

Concepção do videodança e pesquisa no Lab

Foto: Ártemis Ermesson e Bruno Gomes – Jaguar Oricci Valentino

Artista proponente da pesquisa, técnico em dança também pelo Porto Iracema, Bruno Gomes expressa o sentimento de realização com a pesquisa, que passou por desafios em decorrência da pandemia. Com o nome de cena Jaguar Oricci Valentino, ele também relata o aprendizado pessoal e artístico que teve nos últimos meses, lidando com as demandas, ideias, desejos e projeções para os experimentos e materiais de “Soft-fúria”.

“Sinto que muito do que propus enquanto metodologia aconteceu. Criamos muitas interfaces entre linguagens, principalmente no audiovisual. Resgatamos um filme do coletivo Becha Cearense que retrata justamente o surgimento da cena Ballroom no Ceará, com imagens adicionais do momento atual, passando pelo Laboratório, até registros das aulas de vogue, aqui no Iguatu”, detalha. Ele também cita experiências presenciais que criaram conexões com artistas de outras cenas, com passagens pelos Cucas Barra e Mondubim, e em práticas que tiveram presença de Akwa, mãe da House of Soraya, de Sobral, e Gabriel – Cocles, da kiki House of Brial, da Costa Rica, que esteve no estado.

Para o trabalho, foram captadas imagens que traçam “conexões ancestrais”, como nomeia Bruno, com a sua cidade, Iguatu (CE). Entre elas, danças realizadas às margens do rio Jaguaribe, o maior rio seco do mundo, que corta o município, e que contribuem para a simbologia do filme. “Fúria Soft é um anseio dos nossos corpos que lutam diariamente contra todas as violências possíveis, simbólicas, institucionais, físicas etc. A cultura Ballroom nasce como forma de grito e afirmação contra todas opressões e esse projeto carrega isso em seu cerne”, conclui.

Sinopse

Foto: Ártemis Ermesson e Bruno Gomes – Jaguar Oricci Valentino

Documentário/videodança do processo-percurso do Laboratório de Criação em Dança.

O projeto Soft Fúria traz a exibição de um videodança abordando questões que surgiram durante o processo da pesquisa como: Quais os desafios de construir espaços Ballroom em tempos totalitaristas? Corpo ameaça – corpo arma – corpo em guerrilha como forma de transformação social. O que nos une enquanto comunidade? Este registro traz um olhar para a cidade de Iguatu e as problemáticas que ela enfrenta. Neste momento, o trabalho aborda uma conexão com a capital do Ceará, Fortaleza, e territórios do litoral leste do Ceará, especificamente Canoa Quebrada. Pois dizem que às 10 horas da noite um vento que percorre o Ceará, que vem de lá, refresca a cidade de Iguatu, o famoso vento do Aracati. Este videodança traz realidades e ficções simbólicas e poéticas atreladas à territorialidade que conecta esses lugares.

Ficha técnica

Concepção: Bruno Gomes – Jaguar Oricci Valentino
Captação de imagens do interior: Ártemis Ermesson, Jaguar Oricci Valentino e Carlota Valentino
Captação de imagens da capital: Dandara Lima kengaral, Jhon7 Avalanx, Claudete Avalanx e Silvia Miranda mother Yagaga Kengaral
Edição e montagem: Ártemis Ermesson
Elenco: Bruno Gomes – Jaguar Oricci Valentino, Israel Francisco do Nascimento instrutor Ferrugem da Associação desportiva e cultura de Capoeira Volta ao mundo Brasil, Ártemis Ermesson, Talisson Gesf, Lua Morgana, Davi Diva, Jhon7 Avalanx, Dandara kengaral, Carlota Valentino, Silvia Miranda Yagaga Kengaral, Claudete Avalanx e Leo Oricci Valentino
Roteiro: Bruno Gomes – Jaguar Oricci Valentino e Ártemis Ermesson
Sonorização: Vivi Rocha Jones e Victor Macdowell
Trilha sonora: Skin on Skin artista Multiply e Love Taps artista LSDXOXO
Fotografia: Ártemis Ermesson e Bruno Gomes – Jaguar Oricci Valentino

Sobre os artistas

Bruno Gomes – Jaguar Oricci Valentino

Bruno Gomes é natural da cidade Iguatu-CE, artista independente, transita entre a dança, moda, artes plásticas e o cinema. Iniciou suas práticas e vivências na dança em 2008, logo indo estudar na escola de dança de Paracuru, lugar de extrema importância no conhecimento da técnica clássica adaptada a corpos brasileiros. Em 2011, residindo em Fortaleza, trabalhou com o coreógrafo, pesquisador e professor, Rubéns Lopes, na cia de dança Anagrama. Em seguida, dançou na Cia Dita, lugar de pesquisa e produção em dança contemporânea. Formou-se na quarta turma do Curso Técnico em Dança.

Artista freelancer bailarino/criador e desenhista, desenvolve seu trabalho sensível e autoral no movimento, traçando caminhos entre danças afro diaspóricas como o Voguing na cena Ballroom.

Dandara Lima

Dandara Lima, natural de São Gonçalo do Amarante (CE), é uma travesti preta de 20 anos, reside na periferia de Fortaleza (CE), e sempre admirou o poder que o corpo tem em expelir arte, mas somente em 2018 quando conheceu a Ballroom percebeu que também seria capaz de se expressar de tal forma. Inseriu-se na comunidade Ballroom em 2018, após apreciar eventos e ensaios do grupo Becha Cearense, que se consolidaram como um coletivo, no qual,hoje faz parte como integrante, desenvolvendo atividades ligadas diretamente a comunidade Ballroom. A ideia é difundir essa cultura na região, que está atrelada a questões sociais, de gênero e sexualidade. Além disso, faz parte da Kiki House of Kengaral, fundada pela pioneira mãe Yagaga Kengaral.

É o momento de a travesti ocupar espaços.

Antonio Lindon

Antonio Lindon Johnson de Sousa Xavier- John7 Avalanx, 23 anos de idade nascido no município de Maracanaú (CE), mas reside atualmente em Fortaleza. Sua trajetória nas artes, especificamente na dança, veio através da Ballroom. Seu primeiro contato foi através de vídeos e conteúdo disseminados nas redes com a popularização da internet nos anos 2000, surgindo o interesse pela comunidade Ballroom e pela dança Voguing.

Teve a grande oportunidade de conhecer a pioneira e mãe fundadora da Kiki House of Avalanx, Pagava Kengaral. mergulhando ainda mais no universo da Ballroom. Em junho de 2018, a convite da mother Akira, aceitou fazer parte da House of Avalanx, difundindo a cena Ballroom no Ceará. Também faz parte do coletivo Becha Cearense (BC) que é composto, ao todo, por 13 pessoas, e juntes vem desenvolvendo a disseminação da Ballroom na região.

Silvia Miranda (tutora)

Silvia Miranda é fundadora do Coletivo Becha Cearense que é responsável pela grande maioria de Balls e aulas de Ballroom pela cidade de Fortaleza. Miranda trabalha como Chanter , Apresentadora e Professora no coletivo e é nacionalmente reconhecida como Pioneira Yagaga Kengaral e através da Ballroom, realiza trabalhos sociais para a pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade que fazem parte da Ballroom-CE.

Sobre a Escola

O Porto Iracema das Artes é uma instituição da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há sete anos desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

SERVIÇO

O quê: No Dia do Orgulho LGBTQIA+, videodança sobre vogue e a cena ballroom cearense estreia na 8ª MOPI
Quando: 28 de junho, segunda-feira, 16h
Onde: Canal do Youtube do Porto Iracema
Programação online,  gratuita e com acessibilidade em LIBRAS.

Equipe de Assessoria de Comunicação do Porto Iracema das Artes | Texto: Pedro Victor Lacerda (estagiário) | Supervisão: Raphaelle Batista | Publicado em 17/06/2021