Neste domingo (6), banda Viramundo estreia na MOPI8 com show virtual do EP “Fortalezas”

Exibição do show, que traz canções inéditas, será no Canal do YouTube da Escola, e é a finalização do projeto “Fortalezas: Trajetos de um mundo virá”, do Lab Música 2020-21

Um show da banda Viramundo, composta pelos artistas Bruno Esteves, Victória Andrade e Marcello Santos, será exibido na 8ª Mostra de Artes do Porto Iracema (MOPI). A apresentação reúne canções do EP “Fortalezas” (2020), com músicas inéditas desenvolvidas no Laboratório de Música 2020-21 da Escola, e do Afoxé Omorisá Odé, do qual os artistas fazem parte. A exibição será no próximo dia 6, domingo, às 19h, no Canal do YouTube da Escola.

O show consiste na finalização da pesquisa da banda nos Laboratórios de Criação da Escola, com o projeto “Fortalezas: trajeto de um mundo virá”, que também abrange o primeiro EP lançado pelo grupo em março do ano passado. A Viramundo integrou o Lab com a investigação de poéticas culturais brasileiras de tradição.

O público encontra no repertório do show seis canções. “Ewá” tem origem com a orixá de mesmo nome, a senhora das possibilidades. “Seca 17” traz um paralelo rítmico entre os maracatus cearense e pernambucano, com Victória na alfaia e Marcello nos efeitos. “Amanhecer” é um ijexá que mescla canções do Afoxé Omorisá Odé. “Afoxé Omorixá Odé” apresenta mais uma faixa em referência ao bloco que os artistas integram. Na canção “Nanávegador”, o grupo evoca o Oriente, numa homenagem ao mestre Naná Vasconcelos, e a música é tocada com os instrumentos darbuka e karkabul, com Bruno nos pedais de loop. Por fim, “Iara”, uma das mais conhecidas da banda, é um samba de terreiro sobre a lenda pindorâmica da sereia Iara e a orixá Oxum.

Confira o clipe de Iara:

Show virtual e finalização do Lab

Desenvolvido no Laboratório de Música nos últimos sete meses, o trabalho passou por mudanças que tiveram como principal influência a pandemia do novo coronavírus, que impossibilitou os ensaios presenciais e os desdobramentos imaginados para a pesquisa. É o que explica Victória Andrade, que é cantora, bailarina e batuqueira. Neste ano, a tradicional Mostra de Artes do Porto Iracema acontece, pela primeira vez, inteiramente online.

Victória Andrade durante a gravação do show que será exibido na 8ª Mostra de Artes do Porto Iracema. Foto: Alan Sousa

“A banda ficou bastante tempo sem se encontrar e é complicado seguir desenvolvendo à distância. Nós não temos de casa equipamentos e estrutura para ensaiar, como era o caso de quando estávamos no Porto Iracema antes do lockdown. Vivemos um momento de desesperança e desestrutura coletivas e isso inevitavelmente respinga nos processos de criação. Apesar das fragilidades, atravessamos esse momento e sinto que seguiremos colhendo os frutos dessa pesquisa que é bonita”, explica Victória.

Cantor, compositor e violonista, Bruno Esteves concorda com as mudanças sofridas pela pesquisa em decorrência da pandemia e complementa explicando que “A MOPI da Viramundo é um grande ensaio”. “Fazer uma apresentação no teatro, sem frente de palco, simulando nosso espaço de ensaio e abrindo espaço para experimentação sonora e até mesmo audiovisual é uma forma de se apresentar que abre pro novo. Abre para que os profissionais técnicos envolvidos possam contribuir mais com sua subjetividade e suas escolhas estéticas pessoais. Abre o entendimento que nada fica como ‘finalizado’, ‘definitivo’, dando assim uma importância para o presente e valorização do processo de pesquisa em si”, detalha Bruno.

Victória Andrade também comenta a importância da tutoria de Kiko Dinucci, músico, compositor e produtor guarulhense, fundador dos grupos Metá Metá e Passo Torto. A orientação presencial e a vinda do artista para Fortaleza não foi possível em função da pandemia. Ainda assim, os artistas tiveram encontros semanais virtuais nos últimos meses com o tutor. “Essa presença do Kiko foi fundamental, ele compartilhou seu processo de criação conosco e fizemos trocas valiosas, inclusive da perspectiva do afeto”, explica, destacando também as contribuições do oficineiro Letieres Leite para a pesquisa da banda ao final do Laboratório.

Bruno Esteves, durante gravação do show que será exibido no Youtube do Porto Iracema, na MOPI 8, neste domingo (6). Foto: Alan Sousa.

Sinopse

“Fortalezas: Trajetos de um mundo virá” é a pesquisa da banda Viramundo que envolve seu primeiro EP Fortalezas. No show da MOPI, Vic Andrade, Bruno Esteves e Marcello Santos apresentam algumas canções presentes no EP, músicas compostas ao longo do laboratório de criação e também canções do Afoxé Omorisá Odé do qual os artistas fazem parte. A experimentação sonora da banda se fortaleceu ao longo do trajeto e encruza as texturas das percussões de couro, madeira e ferro com efeitos eletrônicos e analógicos atrelados ao violão. A improvisação é a força do instante, é o lugar comum entre a tradição, o ser presente e os anseios do futuro. A banda Viramundo confia na escuta dos ensinamentos dos antigos e fiam juntos essa experiência sonora e cênica que deseja o mundo virar!

Marcello Santos, na gravação do show de finalização do projeto “Fortalezas de um mundo virá”, desenvolvido no Laboratório de Música da Escola Porto Iracema das Artes. Foto: Alan Sousa

Show Tempo: primeiro da tríade “Palco Virtual”

Além da apresentação na MOPI 8, está disponível no Canal do YouTube da banda Viramundo o show “Tempo”, o primeiro da tríade “Palco Virtual”, projeto fomentado com recursos da Lei Aldir Blanc, por meio da Secult-Ce. A produção, lançada no último dia 26 de maio, apresentou uma prévia da pesquisa realizada no Lab Música. Esta primeira apresentação da série de três shows virtuais é também uma celebração ao “Fortalezas”, o primeiro EP da banda lançado em março de 2020, antes do primeiro decreto de isolamento social no Ceará, com faixas do trabalho, canções inéditas e também do cancioneiro popular e tradicional. Confira o show AQUI.

Nos próximos dias 10 e 26 de junho, serão lançados os últimos dois shows intitulados “Sonho” e “Volta”, também no YouTube da Viramundo, sempre às 21h.

Sobre a banda Viramundo

A banda Viramundo investiga poéticas culturais brasileiras de tradição, compondo em diálogo com matrizes rítmicas e suas temáticas. Bruno Esteves, formado em música pela UFC, e Victória Andrade, formada em dança pelo CTD (Curso Técnico em Dança) do Porto Iracema das Artes, uniram-se a Marcello Santos, pesquisador e etnomusicólogo, arte-educador na área de música percussiva, com especialidade em cultura tradicional e popular de expressão afro-brasileira, para criar narrativas sonoras e cênicas potentes. As conexões entre ancestralidade e contemporaneidade inspiram-se em maracatus, sambas, cirandas e bois, assim como percussões menos usuais como alfaia, caxixi, casaca e outros. O Viramundo teve a tutoria de Kiko Dinucci, produtor musical, compositor e guitarrista do Metá Metá.

Sobre o tutor Kiko Dinucci

Foto: Aline Belfort

Kiko Dinucci é guarulhense (SP), músico, compositor e produtor. Fundou os grupos Metá Metá e Passo Torto. Já colaborou em trabalhos de Elza Soares, Criolo, Tom Zé, Marcelo D2 e Jards Macalé. Seu disco mais recente se chama Rastilho (2020) foi indicado a disco do ano no super júri do Prêmio Multishow.

Sobre a Escola

O Porto Iracema das Artes é a escola de formação e criação em artes do Governo do Estado do Ceará, ligada à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há sete anos desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

SERVIÇO

O quê: Neste domingo (6), banda Viramundo estreia na MOPI8 com show virtual do EP “Fortalezas”
Quando: domingo, 06 de junho, às 19h
Onde: Canal do YouTube do Porto Iracema das Artes
Programação virtual e gratuita

Equipe de Assessoria de Comunicação do Porto Iracema das Artes | Texto: Pedro Victor (estagiário) | Supervisão e edição: Raphaelle Batista | Publicado em 04/06/2021