Escola de Formação e Criação do Ceará

Sem velas - Daniel Calvet - 24-06-2026-10

Projeto Porto MIS CinéFabrique reúne estudantes de cinema do Ceará e da França na produção de curtas em Fortaleza

Sem velas Daniel Calvet 24 06 2026 10

Promovido pela Porto Iracema das Artes em parceria com o MIS Ceará e a escola francesa CinéFabrique, projeto reúne jovens brasileiros e franceses em uma experiência de criação colaborativa, intercâmbio cultural e formação profissional (Foto: Daniel Calvet)

Parte de uma indústria cada vez mais globalizada e diversa, o cinema cearense vive um momento de expansão, destacando-se com produções criativas e parcerias internacionais estratégicas. Uma dessas colaborações é o projeto Porto MIS CinéFabrique, que une os talentos e as habilidades de jovens brasileiros e franceses na produção de curtas-metragens, incentivando um importante intercâmbio cultural e profissional.

Realizado pela Porto Iracema das Artes — equipamento da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM) — em parceria com o Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE) e a escola francesa CinéFabrique, o programa dá vida à roteiros criados por estudantes cearenses de cinema, transformando as palavras em narrativas audiovisuais.

Nesta edição, foram selecionados os projetos “Sem as velas pro bolo não tem parabéns”, assinado por Luana Rocha, Laurelia Monteiro e Maryane Lima, e “Papangus”, de João Vitor Pinheiro, Lucas Andrade e Tiago Silva. Ambos os roteiros passaram por um processo de desenvolvimento imersivo no Ateliê de Roteiro de Curta-metragem Ficcional, do Programa de Formação Básica da Porto Iracema. 

Em “Sem as velas pro bolo não tem parabéns”, o público acompanha Paula, que organiza uma festa de aniversário para a mãe quando é surpreendida pela chegada inesperada do irmão, dependente químico. A visita ameaça mergulhar a celebração em um intenso drama familiar, trazendo antigos conflitos à tona.

Já em “Papangus”, o protagonista Matheus vê sua realidade mudar e sua família desaparecer quando papangus, misteriosas figuras mascaradas do carnaval nordestino, tomam conta da cidade e invadem sua casa, em uma sequência cheia de suspense.

Eu me sinto muito grato com todo esse processo [de produção e gravação]. Como um estudante periférico, é muito legal fazer parte disso e poder realizar meu sonho. Desde criança, eu sonhava em fazer o que estou fazendo agora”, conta João Vitor, diretor de “Papangus”.

COLABORAÇÃO INTERNACIONAL

Para transformar essas histórias em filmes, os estudantes cearenses trabalham lado a lado com 12 jovens franceses da renomada escola de cinema CinéFabrique. Ao longo do mês de junho, eles dividem os bastidores das produções em Fortaleza, compartilhando funções, referências, técnicas e diferentes formas de fazer cinema

Para além de uma importante experiência de formação, a parceria também fortalece o intercâmbio entre Brasil e França, criando um ambiente de aprendizado colaborativo que aproxima culturas, amplia repertórios e prepara novos profissionais para uma indústria cada vez mais conectada.

Para Edilberto Mendes, coordenador do Programa de Formação Básica da Porto Iracema, a experiência proporciona aos participantes uma vivência única, marcada pela troca de conhecimentos técnicos, referências culturais e diferentes processos de criação.

Além do impacto na formação profissional, o projeto também incentiva os realizadores a trabalharem juntos, a tomar decisões estéticas, técnicas e poéticas em um processo colaborativo. E isso é muito rico porque são culturas diferentes, pessoas que vêm de vivências muito diferentes, é tudo muito intenso”, observa o coordenador.

Essa troca também é percebida pelos próprios participantes. Integrante da equipe do curta “Sem as velas pro bolo não tem parabéns”, o estudante francês Jack William How Kong Fah afirma que a expectativa para a participação no programa vai muito além da realização dos filmes.

O que eu espero desse projeto é, acima de tudo, aprender. Quero acompanhar os diretores e toda a equipe daqui para ajudá-los a alcançar o resultado final do filme que eles imaginam. Espero poder contribuir ao máximo, seja na parte técnica ou no processo criativo. Mas, além disso, também quero criar laços fortes, conhecer um pouco da cultura brasileira, entender como vivem, passar algum tempo juntos, dar risada”, conta Jack.

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Durante programa, brasileiros e franceses dividem vivências culturais e conhecimentos técnicos (Foto: Daniel Calvet)

Após o término das gravações, os brasileiros partem rumo à cidade de Lyon, na França, para acompanhar a etapa de pós-produção dos filmes na sede da CinéFabrique. Participante da edição 2025 do programa, Emilly Guilherme foi uma das jovens a vivenciar o processo de perto e descreve a experiência como “inesquecível”.

Eu nunca tinha saído do Nordeste e, na primeira vez, já fui saindo do país, indo montar o filme na CinéFabrique, em Lyon, que é uma escola com táticas, professores e alunos diferentes. Foi a primeira vez que eu vi como é o processo real de finalização de um curta, com toda a estrutura e acompanhando todas as etapas, além de também conhecer novas pessoas e cineastas de outras nacionalidades”, relembra a realizadora.

DO CEARÁ PARA O MUNDO

Durante a passagem pelo programa, Emilly desenvolveu o curta “Vampiro”, dirigido junto à colega Noli Levi. A produção foi indicada ao prêmio New Waves Prize do Cannes Indie Short Awards 2026, premiação internacional dedicada ao cinema independente realizada em Cannes, concorrendo com filmes de diversas partes do mundo.

Foi muito emocionante para mim e para Nolí, porque foi nossa primeira seleção em um prêmio internacional. Nós choramos, nos abraçamos. Foi um processo [de seleção] que a gente não estava nem acreditando que daria certo, e agora estamos concorrendo“, relata Emilly.

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Curta “Vampiro” foi gravado em Fortaleza por participantes do Porto MIS CinéFabrique (Foto: Micaela Menezes)

Além de “Vampiro”, o projeto Porto MIS CinéFabrique já contribuiu para a produção de outros 38 roteiros e seis curtas-metragens, movimentando mais de 70 alunos.

SOBRE A CINÉFABRIQUE

CinéFabrique (École Nationale Supérieure de Cinéma) é uma escola privada de cinema de ensino superior administrada por uma organização sem fins lucrativos. Oferece um programa de formação inicial gratuito, com duração de três anos nas áreas de roteiro, produção,oferta de fotografia, som, edição, direção de arte e efeitos especiais.A iniciativa favorece populações jovens com mais dificuldade de acesso à profissionalização e conta com professores de reconhecimento internacional. Localizada na França, a instituição conta com dois campi, situados nas cidades de Lyon e Marselha. A admissão na escola ocorre por meio de um exame nacional de admissão.

SOBRE O MIS

O Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS) é referência como museu polifônico, com foco na diversidade e na inclusão, onde se busca pensar por meio das imagens e dos sons, estabelecendo conexões e promovendo experiências compartilhadas. Um espaço que propõe experimentação, educação, reflexão, preservação, pesquisa e entretenimento. O MIS Ceará é hoje um dos museus mais avançados da América do Sul e conta com equipamentos de última geração para atuar na conservação, digitalização, restauro digital e exposição de acervos imagéticos, sonoros e audiovisuais.

SOBRE A PORTO IRACEMA DAS ARTES

A Porto Iracema das Artes é a escola de formação e criação em artes do Governo do Estado do Ceará, instituição da Secretaria da Cultura (Secult), gerida pelo Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há nove anos desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

 

Assessoria de Comunicação Porto Iracema das Artes | Texto: Isabella Rifane (jornalista) | Supervisão e Edição: Gabriela Dourado (jornalista)