
Formado em programas públicos de arte, o ator cearense estreia em sua primeira série global e retorna às salas de aula por meio do projeto Entremares, da Porto Iracema das Artes, compartilhando experiências e inspirando uma nova geração de jovens cearenses (Foto: Danos Morais)
Sucesso nas telas de cinema por todo o Brasil, o cearense Iago Xavier conquistou, mais uma vez, os holofotes internacionais ao dar vida ao perigoso Vico, personagem de “Homem em Chamas”, novo fenômeno da Netflix. A performance na produção marca uma importante conquista para a carreira do ator, que estreia sua primeira série global, além de demonstrar o alcance das políticas públicas em formação cultural, essenciais para o desenvolvimento do artista cearense.
Liderando o ranking de séries mais assistidas da plataforma em 58 países, “Homem em Chamas” apresenta ao público uma história de ação ambientada no Rio de Janeiro. Além de Iago, a trama também conta com Thomás Aquino e Alice Braga no elenco.
Esta, no entanto, não é a primeira vez que o ator se destaca em produções internacionais. Em 2024, Xavier protagonizou o longa de Karim Ainouz “Motel Destino”, primeiro filme cearense a concorrer à Palma de Ouro no Festival de Cannes, dando vida ao complexo Heraldo.

Iago Xavier como Heraldo em “Motel Destino”, primeiro longa cearense a concorrer à Palma de Ouro em Cannes (Foto: Divulgação)
Fruto de Políticas Públicas
O currículo recheado de sucessos evidencia a potência e a versatilidade do ator cearense, que teve o talento lapidado em programas públicos de formação artística, como os ofertados pela Porto Iracema das Artes – equipamento da Rede Pública de Equipamentos Culturais (RECE) da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult CE), gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM).
Na Escola, Xavier integrou o Programa de Formação Básica em Artes Cênicas, passagem que ajudou a moldá-lo como um “artista de múltiplas linguagens”, que transita entre diferentes campos culturais.
“Para mim, [fazer arte] parecia uma grande magia, uma ciência que eu não sabia. E à medida que a minha vida seguiu por esses caminhos, a maioria deles proporcionados por oportunidades públicas, eu consegui aprender [como fazer arte]”, explica o ator.

Ator iniciou trajetória artística em programas públicos de formação cultural (Foto: Danos Morais)
Semeando novas trajetórias
Em 2026, além de retornar ao circuito internacional, Iago assume outro papel importante: o de professor. O ator deixa o lugar de aprendiz para se tornar educador por meio do projeto “Entremares – Ensino de Artes nas Escolas”. Promovida pelo Programa de Formação Básica da Porto Iracema, a iniciativa leva percursos formativos em artes cênicas, audiovisual, dança e artes visuais para escolas da rede pública.
Nesta edição, o projeto acontece em parceria com a EEFM Clóvis Beviláqua, incentivando trocas pedagógicas entre as duas instituições. Na unidade de ensino, o projeto desenvolve, desde fevereiro, formações básicas em Teatro e Audiovisual, além de um Clube de Dança e do ciclo de atividades extracurriculares “Fortaleza: Cena, memória e futuro”, que destaca a importância histórica e artística de espaços culturais da capital cearense por meio de visitas e conversas com gestores e artistas.
Xavier integra o time de professores do curso de artes cênicas, transmitindo a jovens artistas os aprendizados e experiências acumulados ao longo de sua formação em programas públicos de arte. Completando um ciclo, o ator passa, agora, a contribuir para a trajetória de estudantes que iniciam seus caminhos no universo artístico.
“É muito interessante compartilhar conhecimentos e ver essa informação chegando pela primeira vez às pessoas, estar desse outro lado, nesse lugar de ensinar. Durante as aulas, eu tento transmitir um pouco da minha experiência, falar sobre o lugar de onde vim e onde consegui chegar também, para mostrar a eles que esse caminho da arte é uma possibilidade muito real”, afirma o artista.
Aluna contemplada pela formação, a jovem Sofia Ribeiro compartilha desse sentimento ao destacar que as vivências artísticas proporcionadas pelas aulas contribuem para ampliar perspectivas e abrir novos caminhos para o futuro.
“Eu sempre fui muito envolvida nesse mundo artístico, sempre tive muito interesse. Eu ainda não sei o que quero fazer profissionalmente, mas sinto que as aulas me deixam mais próxima de descobrir. É um ambiente que deixa as pessoas confortáveis e seguras para testar, experimentar”, conta a estudante.

Aulas do projeto Entremares incentivam liberdade de expressão e criatividade (Foto: Danos Morais)
Coordenadora do Programa de Formação Básica em Artes Cênicas da Porto Iracema, Maíra Abreu reforça a importância de artistas como Xavier, formados a partir de políticas públicas de cultura, retornarem às salas de aula para compartilhar experiências e inspirar jovens que percorrem caminhos semelhantes.
“É importante termos professores como o Iago, que é um jovem artista formado na nossa própria cidade, porque ele serve como referência de possibilidade para essas juventudes. Ter essa relação amplia as perspectivas e ajuda a entender que ser artista, produtor, fotógrafo, ator ou atriz também é uma possibilidade profissional. As aulas colocam a arte nesse lugar de profissão, não apenas como uma atividade para preencher um horário vazio da escola”, pontua a coordenadora.
Sobre Iago Xavier
Também conhecido como “Mazé”, Iago Xavier é um artista cearense de múltiplas linguagens, atuando em diversas formas de arte, na cena, música, dança e artes visuais. Fez seu primeiro trabalho em longa-metragem, co-protagonizando “Motel Destino” de Karim Ainouz, filme com exibição em Cannes.
Começou atuando em peças de escola e se apresentando em saraus. Passou pelo percurso formativo de iniciação: Práticas do Ator, na Escola Porto Iracema das Artes. Atuou na esquete premiada “rasga Mortalha” e em espetáculos teatrais como “O corpo pedrado” com o coletivo Antiontem e “Ainda Vivas” do grupo Nois de teatro. Atualmente, interpreta Vico em “Homem em Chamas”, da Netflix.
Sobre o projeto Entremares
O projeto “Entremares: ensino de artes nas escolas” objetiva instaurar processos de formação artística no contexto escolar da rede pública de ensino, com vistas a contribuir com a formação integral dos alunos, a partir da formação de um repertório estético, que envolve práticas de criação e fruição artísticas, numa perspectiva de reconhecimento dos contextos territoriais e afetivos em que os estudantes estão imersos. Aposta-se na cooperação e na partilha entre as esferas da Educação formal e da formação no campo artístico, para impulsionar a emergência de novas práticas de arte-educação e experiências singulares de aprendizagem e de construção de repertório simbólico.
Sobre o Programa de Formação Básica
O Programa de Formação Básica é destinado a jovens entre 15 e 29 anos, estudantes da rede pública de ensino, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio. Está estruturado por percursos formativos, que propõem um conjunto de módulos de aprendizagem independentes, mas interligados, de maneira a construir uma experiência formativa de iniciação às artes que conecta o estudo das noções básicas das linguagens artísticas com os debates que envolvem a existência e a autoafirmação das juventudes na atualidade, estimulando a conexão das pessoas com seus próprios territórios, narrativas e recursos, relacionando-os com a vida social. Os percursos em Artes Visuais, Audiovisual e Teatro incluem experiências de fruição e criação artística, bem como indicações de possibilidades de profissionalização no campo artístico.
Sobre a Porto Iracema das Artes
A Porto Iracema das Artes é a escola de formação e criação em artes do Governo do Estado do Ceará, equipamento da Rede Pública de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), gerida em parceria com o Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há doze desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.
Assessoria de Comunicação Porto Iracema das Artes | Texto: Isabella Rifane (jornalista) | Supervisão e edição: Gabriela Dourado (jornalista) | Publicado em 10 de junho de 2026