Projeto da Porto Iracema das Artes levou eletivas de Teatro e Audiovisual, Clube de Dança e experiências culturais para estudantes da EEMTI Clóvis Beviláqua

Projeto da Porto Iracema das Artes conclui primeiro ciclo de atividades na EEMTI Clóvis Beviláqua (Foto: Daniel Calvet)
O contato com linguagens artísticas, a descoberta de novas possibilidades profissionais e o fortalecimento do vínculo com a escola marcam a conclusão do primeiro ciclo do projeto Entremares: ensino de arte nas escolas. Desenvolvido pela Escola Porto Iracema das Artes — integrante da Rede Pública de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura do Ceará (Rece) e gerida pelo Instituto Dragão do Mar (IDM) —, a iniciativa beneficiou cerca de 52 jovens da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Clóvis Beviláqua por meio de disciplinas eletivas de Audiovisual e Teatro, um Clube de Dança e experiências de fruição cultural em equipamentos da cidade. Os resultados serão apresentados ao público na próxima terça-feira (30), durante a programação de encerramento do semestre, na Porto Iracema das Artes.
Resultado de um processo contínuo de aproximação entre a Porto Iracema das Artes e a rede pública de ensino, o Entremares nasce a partir de experiências desenvolvidas pelo Programa de Formação Básica em escolas estaduais de diferentes regiões do Ceará por meio do projeto aBarca. Entre elas estão as oficinas realizadas em parceria com o Festival Alunos que Inspiram, da Secretaria da Educação do Ceará (Seduc), que, entre 2025 e 2026, alcançaram 630 estudantes em 39 escolas de 21 municípios cearenses.
Essa trajetória também incluiu percursos de iniciação artística realizados em escolas estaduais e ciclos de visitas à sede da Porto Iracema, nos quais estudantes tiveram contato com experiências de criação em fotografia, vídeo, artes visuais, música, dança e teatro. O acúmulo dessas ações com o aBarca permitiu o desenvolvimento de metodologias voltadas à formação artística em contexto escolar e fundamentou a criação do Entremares.
Para a diretora da Escola Porto Iracema das Artes, Bete Jaguaribe, a experiência reafirma o papel da arte como dimensão fundamental da formação humana e amplia o diálogo entre cultura e educação pública. “O Entremares traduz uma compreensão que orienta o trabalho da Porto Iracema das Artes: a de que a formação em arte não se restringe à formação de artistas. A arte amplia repertórios, fortalece vínculos, produz reflexão crítica e contribui para a formação dos sujeitos em sua relação com o mundo, com os territórios e com as outras pessoas”, afirma a diretora.
Ainda em seu primeiro semestre de atuação, o projeto piloto foi construído em parceria com a equipe pedagógica da EEMTI Clóvis Beviláqua, buscando incorporar as linguagens artísticas ao currículo escolar e fortalecer a participação dos estudantes.
“O Entremares nasce de um processo de amadurecimento das experiências que a Porto Iracema das Artes vem desenvolvendo junto às juventudes da rede pública. Ao longo dos anos, fomos construindo metodologias, compreendendo melhor o ambiente escolar e entendendo como a formação artística pode dialogar de forma mais profunda com a educação formal”, afirma Edilberto Mendes, coordenador do Programa de Formação Básica da Porto Iracema das Artes.
Além das atividades realizadas na escola, os estudantes participaram de experiências de fruição cultural em espaços artísticos e equipamentos culturais de Fortaleza, ampliando o repertório estético e o contato com diferentes formas de criação.
Formação artística e pesquisa
Inspirado em reflexões da educadora norte-americana Bell Hooks, o projeto aposta na formação artística como ferramenta para mobilizar o entusiasmo, fortalecer vínculos comunitários e estimular o reconhecimento das singularidades em meio à diversidade. Corpo, território e imaginação constituem eixos centrais da experiência formativa desenvolvida junto aos estudantes.
Paralelamente às atividades educativas, os estudantes participantes integram um processo de monitoramento e avaliação realizado em parceria com o programa Cientista-Chefe da Cultura. A iniciativa busca acompanhar, ao longo do tempo, os impactos da experiência artística na vida dos jovens, observando de que forma o contato contínuo com as artes influencia suas trajetórias educacionais, profissionais e pessoais.
De acordo com o coordenador pedagógico da unidade de ensino, Tiago Teixeira, embora os resultados ainda estejam em fase de avaliação, a experiência tem potencial para contribuir significativamente para a formação dos estudantes.
“A gente pode prever uma melhora significativa no entendimento de mundo desses alunos, de como eles vão olhar para as próprias realidades, para os seus territórios e até para o mundo do trabalho. Mas, principalmente, para o desenvolvimento pessoal, da criatividade, da corporeidade, do entendimento de que a arte não é só diversão, ela também é estudo, esforço e construção”, destaca o coordenador.
Ao longo do semestre, os estudantes participaram de percursos formativos que articularam criação artística, reflexão sobre o território e experiências de fruição cultural, aproximando diferentes linguagens e modos de produção artística.
Cidade, memória e criação artística
Nas eletivas de Audiovisual, os estudantes participaram de um percurso formativo voltado à experimentação da linguagem cinematográfica, conduzido pelos artistas e realizadores José Luis Máximo, Léo Câmara, Mano Erick, Camilla Osório e Elienay Duarte. Ao longo dos módulos, investigaram elementos como imagem, som, memória e território, produzindo mapas afetivos da cidade de Fortaleza e explorando formatos como filme-carta e filme-poema.
A proposta estimulou a observação sensível dos espaços urbanos, a escuta do território e a construção de narrativas autorais inspiradas nas experiências cotidianas dos próprios participantes. Como resultado, os estudantes realizaram curtas-metragens que articulam memória, afeto e pertencimento.
Já nas eletivas de Teatro, orientadas por Iago Xavier, Lídia dos Anjos, Amon Aristides e Maruska Ribeiro, o percurso abordou diferentes dimensões da criação cênica, incluindo atuação, dramaturgia, figurino e iluminação. A partir de investigações sobre corpo, cidade, memória e afetividade, os estudantes desenvolveram experimentos cênicos construídos coletivamente e inspirados em suas relações com os territórios que habitam.
Complementando as atividades, o Clube de Dança, conduzido pelos artistas Clarissa Costa e Éder Soares, promoveu vivências voltadas ao corpo em movimento, articulando práticas da dança, das danças sociais, da capoeira e de referências da cultura popular brasileira. As atividades estimularam a escuta, a improvisação, a criação coletiva e a ampliação da consciência corporal dos participantes.
Além das atividades realizadas na escola, os estudantes participaram de experiências de fruição cultural em equipamentos como o Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE), o Cinema do Dragão e o Museu da Liberdade, ampliando o contato com diferentes expressões artísticas e fortalecendo a relação entre formação, território e cultura.
Programação de encerramento
A conclusão do primeiro ciclo do Entremares será celebrada na próxima terça-feira (30), a partir das 14h, na Porto Iracema das Artes. A programação reúne estudantes da EEMTI Clóvis Beviláqua em uma tarde de apresentações e compartilhamento dos processos desenvolvidos ao longo do semestre.
Os participantes das eletivas de Teatro e Audiovisual apresentarão ao público os trabalhos criados durante a formação, em atividades que abordam temas como memória, território, identidade e futuro. A programação inclui o experimento cênico “Quem Somos Nós Amanhã?”, dirigido por Lídia dos Anjos; a mostra audiovisual “Amar e mudar as coisas me interessa mais”; o encerramento do Clube de Dança; e uma visita guiada à exposição Escombros da Memória, da turma do Preamar de Artes Visuais 2025.
Poéticas da Formação Artística
A experiência do Entremares dialoga diretamente com as Poéticas da Formação Artística, eixo que orienta as ações da Escola Porto Iracema das Artes em 2026. A proposta parte da compreensão de que arte e vida são dimensões indissociáveis dos processos educativos e convida à reflexão sobre os modos de formar artistas, as metodologias de ensino e os impactos da arte-educação na sociedade.
Construído ao longo de mais de uma década de reflexão pedagógica, esse eixo emerge das experiências desenvolvidas pela Escola em seus diferentes programas formativos e encontra no Entremares uma de suas expressões mais concretas ao aproximar formação artística, educação pública e transformação social.
Sobre a Porto Iracema das Artes
A Porto Iracema das Artes é a escola de formação e criação artística do Governo do Estado do Ceará, vinculada à Secretaria da Cultura (Secult) e gerida pelo Instituto Dragão do Mar (IDM). Desde 2013, desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com cursos básicos, técnicos e laboratórios de criação. Todas as atividades são gratuitas.
Serviço
Encerramento do Entremares – Ensino de Artes nas Escolas
Data: 30 de junho de 2026 (terça-feira)
Horário: 13h30 às 17h
Local: Porto Iracema das Artes – Rua Dragão do Mar, 160, Praia de Iracema, Fortaleza (CE)
Programação:
- Experimento cênico ‘Quem Somos Nós Amanhã?” (20 min), com direção de Lídia dos Anjos
- Mostra audiovisual Amar e mudar as coisas me interessa mais
- Encerramento do Clube de Dança
- Visita guiada à exposição Escombros da Memória, da turma do Preamar de Artes Visuais 2025
Classificação indicativa: Livre
Entrada: Gratuita
Assessoria de Comunicação Porto Iracema das Artes | Texto: Giovana Freire (estagiária) | Supervisão e edição: Gabriela Dourado (jornalista)