
O pesquisador conduziu a aula inaugural “Arte, criação e equidade para a educação integral”, no lançamento do projeto Entremares. A iniciativa leva formações artísticas para escolas da rede pública. (Foto: Analice Diniz)
Referência nacional em educação, o pesquisador João Alegria participou do lançamento do projeto Entremares, nessa quinta-feira (29), na Porto Iracema das Artes – escola da Secretaria da Cultura do Estado (Secult CE), gerida em parceria com o Instituto Dragão do Mar (IDM). Na ocasião, Alegria conduziu uma aula inaugural, na qual destacou a importância da arte no desenvolvimento acadêmico e social dos jovens contemplados pela iniciativa.
Promovido pelo Programa de Formação Básica da Porto Iracema, o projeto “Entremares: ensino de artes nas escolas” leva processos de formação artística em audiovisual, teatro, dança e artes visuais para escolas de tempo integral da rede pública cearense, democratizando o acesso a práticas artísticas e incentivando novos talentos.
Nesta edição, a iniciativa acontece na EEFM Clóvis Beviláqua, no bairro Centro, em Fortaleza. Na instituição, os alunos poderão participar de formações básicas em Teatro e Audiovisual, além de integrar um Clube de Dança.
Para Alegria, as atividades têm potencial para impactar de forma significativa a rotina exigente do ensino de tempo integral, tornando o ambiente escolar mais acolhedor e estimulante para os jovens.
“As escolas de tempo integral têm um desafio muito grande: decidir como usar, da melhor maneira possível, o tempo das pessoas. Os professores e os estudantes vão para lá e passam muitas horas do dia. No Ceará, por exemplo, chegam a ter uma jornada de nove horas diárias”, aponta o pesquisador.
Nesse contexto, a arte surge como uma ferramenta estratégica na rotina escolar, segundo Alegria: “Você precisa pensar em outras atividades para que a vida do estudante lá dentro não seja só aula. E nessa hora, entrar com projetos de arte é muito importante, porque não só mantêm os estudantes mais motivados, mas também permitem que eles encontrem lugares para canalizar um pouco as energias”.
CORRENTES DE DESENVOLVIMENTO
Fora das salas de aula, as práticas artísticas ampliam os processos de desenvolvimento pessoal de cada aluno ao criarem espaços livres para a expressão de sentimentos e ideias, contribuindo para a formação social dos jovens.
“[Nas formações], os estudantes colocam para fora coisas que eles estão sentindo e vivenciam outras experiências a partir de atividades que envolvem, por exemplo, trabalhos manuais. Essas atividades ajudam muito no crescimento e no desenvolvimento das pessoas, além de serem importantes para a saúde mental”, explica Alegria.

(Foto: Gabriela Dourado)
MARÉS QUE CORREM PELA CIDADE
Durante a realização do projeto Entremares, os estudantes ainda participam do ciclo de atividades extracurriculares “Fortaleza: Cena, memória e futuro”, que destaca a importância histórica e artística de espaços culturais da capital cearense por meio de visitas e conversas com gestores e artistas.
As vivências fortalecem os laços entre os alunos e a cidade, apresentando os processos históricos e sociais que moldaram os territórios onde vivem e promovendo, desta forma, o reconhecimento e a valorização de suas identidades.
“Quando você cria esses espaços, você abre oportunidades para que a pessoa traga coisas de onde ela vem. Traga formas de dançar, formas de cantar, formas de comer, de cozinhar. E é isso que liga a escola até a comunidade, liga a escola até as famílias, liga a escola até os territórios onde a escola fica ou de onde as pessoas vêm”, finaliza João Alegria.

(Foto: Analice Diniz)
SOBRE O PROJETO ENTREMARES
O projeto “Entremares: ensino de artes nas escolas” objetiva instaurar processos de formação artística no contexto escolar da rede pública de ensino, com vistas a contribuir com a formação integral dos alunos, a partir da formação de um repertório estético, que envolve práticas de criação e fruição artísticas, numa perspectiva de reconhecimento dos contextos territoriais e afetivos em que os estudantes estão imersos. Aposta-se na cooperação e na partilha entre as esferas da Educação formal e da formação no campo artístico para impulsionar a emergência de novas práticas de arte-educação e experiências singulares de aprendizagem e de construção de repertório simbólico.
SOBRE O PROGRAMA DE FORMAÇÃO BÁSICA
O Programa de Formação Básica é destinado a jovens entre 15 e 29 anos, estudantes da rede pública de ensino, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio. Está estruturado por percursos formativos, que propõem um conjunto de módulos de aprendizagem independentes, mas interligados, de maneira a construir uma experiência formativa de iniciação às artes que conecta o estudo das noções básicas das linguagens artísticas com os debates que envolvem a existência e a autoafirmação das juventudes na atualidade, estimulando a conexão das pessoas com seus próprios territórios, narrativas e recursos, relacionando-os com a vida social. Os percursos em Artes Visuais, Audiovisual e Teatro incluem experiências de fruição e criação artística, bem como indicações de possibilidades de profissionalização no campo artístico.
SOBRE A PORTO IRACEMA DAS ARTES
A Porto Iracema das Artes é a escola de formação e criação em artes do Governo do Estado do Ceará, equipamento da Rede de Rede Pública de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), gerida em parceria com o Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há dez anos desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.
Assessoria de Comunicação Porto Iracema das Artes | Texto: Isabella Rifane (jornalista) | Supervisão e Edição: Gabriela Dourado (jornalista) | Publicado em 5 de fevereiro de 2026